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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Haja viadutos

Coluna "SOBRETUDO" de Aluísio Moura do site Ceilandia.com

Foi só o GDF inaugurar o viaduto Israel Pinheiro, na EPTG, e os motoristas do DF descobriram algo que os de São Paulo já sabem desde os tempos em que Paulo Maluf administrava a cidade: viadutos não eliminam engarrafamentos. No máximo os transferem de um determinado ponto de uma via para outro mais adiante.

Todas as cidades que foram bem sucedidas no desafio de atenuar os problemas de tráfego o lograram desestimulando o uso do automóvel particular.

Primeiro, as autoridades trataram de oferecer à população transporte público de qualidade, integrando metrô, ônibus e até bicicletas. Parece ser esta a filosofia do projeto Brasília Integrada, do governador José Roberto Arruda.

Segundo, foram criadas dificuldades para quem continuava insistindo em se locomover no próprio carro: entre outras medidas, aumentaram impostos, reduziram o número de vagas para estacionamento e passaram a cobrar taxas caríssimas pelo uso das vagas que sobraram.

Em algumas cidades as prefeituras radicalizaram e simplesmente proibiram o tráfego de táxis e automóveis privados em determinadas áreas. Em outras radicalizaram ainda mais e transformaram as ruas centrais em calçadões para pedestres. Ali, só se chega de metrô, de bicicleta ou a pé. Veículo motorizado só entra se for ambulância, carro da polícia, do corpo de bombeiros e caminhões de limpeza ou de entrega (estes últimos sempre nos horários determinados pela prefeitura).

Claro que no começo a reação dos moradores foi a pior possível. Mas só até se darem conta do quanto é bom poder desfrutar do ar limpo e do sossego de ruas livres de motoristas estressados e suas ameaçadoras armaduras de aço. E tudo isso sem perder a capacidade de se deslocar rapidamente para qualquer ponto da cidade.

Foi uma mudança radical de mentalidade, que não aconteceu da noite para o dia. Mas aconteceu. O resultado é que hoje, nessas cidades, quem ousa comprar um carro ganha fama de egoísta e corre o risco de ficar mal visto pelos vizinhos.

Como aqui no DF só agora transporte público de qualidade passou a ser prioridade e a maioria das pessoas ainda acredita que ter automóvel é sinal de status, dá para imaginar o longo - e engarrafado - caminho que ainda temos pela frente.

Haja paciência. E haja viadutos.

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